Introdução
“Põe-na em cima do pé.” “Controla-lhe o equilíbrio.” “Leva-a, guia-a, manda nela.”
Se já fizeste aulas de dança a dois, é provável que já tenhas ouvido frases assim. Eu próprio as ouvi durante anos, nos salões e nas competições. Ditas todos os dias, em todas as escolas. E quase ninguém as questiona.
Hoje quero fazer-te uma pergunta incómoda: na dança a dois, a dama vale menos do que o cavalheiro?
A ideia escondida nas palavras que usamos
Repara bem no que estas frases dizem nas entrelinhas. Que a dama não se aguenta sozinha. Que não se equilibra, não decide e não se expressa sem o cavalheiro.
Ninguém o diz por mal. É apenas a forma como se ensinou durante muito tempo. Mas as palavras moldam a maneira como dançamos.
A capacidade da dama nunca esteve em causa. O problema é a linguagem, que a nega todos os dias, aula após aula.
Um par não é um serviço de transporte
Quando um carrega e o outro é carregado, aquilo deixa de ser um par. Passa a ser transporte.
A dama fica reduzida a algo que se leva de um lado para o outro. E a dança encolhe com ela: perde-se a musicalidade, a personalidade e o prazer de dançar a dois.
Na prática, nota-se logo. O cavalheiro faz força nos braços, a dama fica pesada e à espera, e os dois acabam a aula cansados e frustrados.
Estar atento não é controlar
Um bom cavalheiro está atento à dama. Presente, sensível ao que ela faz e ao que a música pede.
Mas estar atento não é controlar. A atenção é uma forma de respeito. O controlo é uma forma de desconfiança.
Conduzir é propor um movimento, de forma clara e no tempo certo. E depois confiar que a dama responde, com o seu corpo e o seu estilo.
A dama é uma bailarina completa
A dama é responsável pelo seu próprio equilíbrio, pelo seu movimento, pela sua coordenação e pela sua expressão.
Isto não significa que o cavalheiro a deixa entregue a si própria. Significa que ela nunca precisou de ser carregada.
Uma dama que se sustenta no seu eixo fica leve, responde melhor à condução e ganha liberdade para dar o seu toque pessoal à dança.
O cavalheiro também fica livre
Há uma coisa que quase ninguém diz ao cavalheiro: quando deixa de “mandar” na dama, fica livre.
Livre de carregar o peso dos dois. Livre para escutar a música e a parceira. Livre para, finalmente, dançar com ela, e não apenas levá-la.
Como trabalhamos isto na Academia
Na Academia João Capela, ensinamos assim desde a primeira aula. Cada um aprende a cuidar do seu equilíbrio, o cavalheiro aprende a propor e a dama aprende a responder com personalidade.
E não é preciso experiência nenhuma. Mesmo quem chega com pés de chumbo descobre, aula após aula, que é dono do seu próprio movimento.
O resultado? Pares que dançam mais leves, mais sorridentes e com muito mais cumplicidade, seja na Dança de Salão, na Kizomba ou na Bachata.
Uma conversa entre iguais
Dois bailarinos completos. Cada um responsável por si, cada um com a sua expressão, a encontrarem-se na mesma dança.
Isto não é um homem a levar uma mulher. É uma conversa entre iguais. E é infinitamente mais bonito.
Queres sentir isto na prática? Marca uma aula experimental na Academia, sozinho ou com o teu par, e descobre como é dançar assim. Fala connosco aqui.
Um abraço,
João Capela
Onde és feliz!

